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  • Foto do escritorNathalie Ferreira

Processo terapêutico e repetições

No livro Psicologia Arquetípica, Hillman nos diz que não há metas nem para a terapia nem para os sintomas; não porque eles não possam ser atravessados por intencionalidade, uma vez que o desejo está para a alma (psique) como a alma está para o desejo, mas sobretudo porque ao definir a meta já perdemos a possibilidade de reimaginar. Ainda que haja finalidade, não a saberemos enquanto não se faça. E talvez o processo se refaça. E se refaça. E se refaça…


Um processo terapêutico é feito de muita repetição. E a repetição incomoda o ego, pois o lembra que ele não está no controle, mas sim que serve à psique, e esta inscreve sua linearidade em um tempo que é, na verdade, circular.

Em Re-vendo a Psicologia, Hillman aponta para o movimento indireto e circular da alma, em que as retiradas são tão importantes quanto o avanço.

Só uma sociedade tomada por um movimento maníaco de crescimento e unilaterizada pela positividade não valoriza tais retiradas. E isso nos afasta do cultivo da alma, do psicologizar, uma vez que sua linguagem é metafórica, vagarosa e profunda. Ela, a alma/psique, prefere os “labirintos e esquinas”.

Nosso tempo precisa parar para absorver que “a alma é vulnerável e sofre; ela é passiva e lembra. É água para o fogo do espírito, como uma sereia que desvia o espírito heroico rumo às profundezas da paixão para extinguir suas certezas” (Hillman)

O mergulho em nós é riqueza e confusão.


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